Bom dia, senhor alegria

Era uma vez um homem feliz. Tratava a todos com cordialidade. Era conhecido como o senhor alegria. Alguns, já cansados de tanta maldade, se perguntavam:

  • Será que ele tem algum problema?

Ninguém conhecia ao certo a vida do homem. Aparentava ter uns 60 anos.
Aparentava estar bem de saúde. Aparentava alegria todos os dias.

O senhor Alegria gostava de ir aos parques e dar comida aos pássaros. Também gostava de ajudar moradores de rua com marmitas. Fazia trabalho voluntário em uma ONG para imigrantes.

Um dia o senhor Alegria não apareceu.
No ônibus.
No botequim.
No parque.
Na praça.
Na ONG.
Ninguém o viu.

Passaram 1, 2, 3 dias.
O senhor Alegria sumiu.

No quarto dia, o morador da Rua 6 entrou no botequim para pedir comida.
No quinto dia, os pombos da praça começaram a invadir as calçadas.
No sexto dia, um imigrante foi preso. Não entendeu uma palavra qualquer e o dito virou maldito.

Onde estaria o senhor Alegria?
Quem era o senhor Alegria?

Como pode, um homem que diariamente cumprimentava e ajudava tanta gente, sumir assim de repente?

Como pode, um homem que diariamente cumprimentava e ajudava tanta gente, ser um ilustre desconhecido para o mundo em que vivia?

Nunca mais o senhor Alegria voltou. Talvez a morte o tivesse levado, talvez a doença, quem sabe ainda o desgosto. Não se sabe. O que se sabe é que o mundo ficou mais cinza sem a sua presença.

Será que ele volta? Será que ele está escondido? Será que está enterrado?
Você sabe donde está o senhor Alegria?

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