Vive ou sobrevive?

Tem um filme, O Sorriso da Monalisa, com a Julia Roberts. Ela interpreta uma professora de uma universidade que incentiva suas alunas a se tornarem a melhor versão de si mesmas, mostrando à sociedade machista “da época” que elas podem, sim, exibir seu talento. Dentre elas, havia uma menina, a mais brilhante e inteligente de todas, que, para a surpresa geral, quer “apenas” ser dona de casa. Em um diálogo tenso, ela questiona:

– Como a professora, que quer incentivar as mulheres a serem o que desejam, pode se opor quando ela faz uma escolha própria?

Nessa cena do cinema, que possivelmente se repetiu milhares de vezes na vida real, uma questão incômoda se coloca:

– Vivemos a nossa vida ou a vida que esperam de nós? Nossa vida é de verdade ou um conto de fadas com capítulos de provação?

Vemos isso diariamente nos lares: pais que censuram filhos por demonstrarem aptidão em áreas que “não dão dinheiro”, “não têm futuro” ou “não são profissões de verdade”. Assim, cria-se a sociedade ansiosa, triste e cheia de traumas que temos hoje.

Pare e pense em questões práticas e mentais:

Nas práticas: acredito piamente que você pode ser muito bom em tudo aquilo a que se propõe de verdade; logo, terá sucesso profissional e financeiro.
Nas mentais: você se convence de que é assim mesmo, que temos que aceitar o destino que “nos coube”.

Há um bilionário na internet que vai às ruas, normalmente em Londres, perguntando às pessoas:
— Qual é o seu sonho?

Depois que elas respondem, vem a pergunta que surpreende:
— Mas o que te impede de viver esse sonho?

Normalmente, as respostas estão vinculadas a dinheiro. Muito dinheiro? Geralmente não, mas não importa, não é esse o ponto. O ponto é: nunca há sequer um dólar guardado ou destinado a esse interesse.

“Quero ir para a Disney.”
“Quero comprar um carro.”
“Quero ter um terno Armani.”
Não importa. Qual é o ponto de partida? Qual é o plano?

Ah, fácil falar! Mal consigo pagar as contas do mês e você ainda quer que eu guarde dinheiro? Você pode estar me repreendendo agora.
Resposta fácil: Sim!

Tem que ter um plano. Se o seu salário atual não comporta um único real para um objetivo futuro, é preciso encontrar outras fontes; é preciso suar. Fazer um trabalho extra um final de semana por mês e guardar essa grana. Uma noite por semana. Não importa.

É fácil? Claro que não.
É cansativo, melancólico e dá raiva. Você olha para o lado e vê “pessoas mais sortudas que você” descansando, curtindo, e você… trabalhando. Sacrificando horas de lazer com quem ama.

MAS — e nesse caso, meu querido, o MAS é ótimo — no momento em que você estabelece um objetivo e entra em ação, você passa a viver, e não apenas a sobreviver ou a ocupar o intervalo entre o nascimento e a morte. Você tem um objetivo. Você tem um porquê.

E quer saber algo totalmente contraditório?

Quando você se coloca em busca, o mundo te entrega. Entrega o que você quer, mas também um monte de desafios. Não me pergunte o motivo, não faço ideia; só sei que é assim que acontece.

E digo mais:

você provavelmente vai alcançar seu objetivo, porém, isso definitivamente não é o que mais importa. A jornada importa.

Mais uma do cinema: UP – Altas Aventuras. O jovem casal sonha em viajar. Tomam a atitude, começam a guardar dinheiro. Vão conseguir! Mas doenças, estragos e prejuízos os levam de volta ao ponto zero de novo, de novo e de novo.

Isso importa?

A viagem seria legal? Claro! Mas a jornada, meus queridos… a jornada é o que realmente vale a pena!

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