Pode parecer que não.
Pode parecer exagero.
Garanto, não é.
Eu mesmo fui ávido participante desse hobby.
Mas não apressemos as coisas.
Essa é uma coluna de opinião e histórias.
Falemos delas.Hoje fui a uma palestra da CEO da Claro.
Roberta Godoi.
Um case de sucesso como tantos outros: começou de baixo, sumiu, mostrou competência e apareceu.
No final, isso foi diferente. Ela deixou a apresentação para o final e ali surpreendeu a maioria das pessoas presentes.
Ela “tem um plano B”.
Ela é atriz, ela é maratonista, ela é dançarina, mestre de cerimônias.
Ela também é empreendedora e faz um monte de trabalho voluntário, inclusive fundando uma organização para incentivar mulheres a trabalharem as suas carreiras.Ela faz tanta coisa que não tem tempo para praticar o hobby brasileiro.
Outro dia entrei num carro cujo motorista trabalha com aplicativo.
Ele me contava como estava tudo muito ruim na vida dele.
Mal ganhava para comer.
Enquanto dirigia seu Song Plus híbrido 2025, contava suas mazelas.
A minha sorte foi que o meu partido político batia com o dele — sempre bate, incrível.Outro dia me aventurei no mundo do amaciante.
Peguei um monte de toalhas, coloquei na máquina e “taquei” amaciante.
Tirei da máquina, coloquei para secar.
À noite, pensei: será que vai chover?!
Perguntei para a Alexa, ela me garantiu que não.
Choveu.
Pratiquei o hobby mais uma vez.Eu era muito bom nisso.
Estou tentando piorar.Tem uma história meio triste, mas interessante.
Eu era gestor de uma pequena equipe de jornalistas.
Trabalhávamos com antecedência e tals…
Um belo dia ela chega e pede a conta.
Ok, nada fora do normal.
“Vai sair quando?”, pergunto.
“Agora”, ela responde.
“Vai entregar o que se comprometeu antes?”, retruco.
“Não”, sentencia.
Ok, jogo fechado.Chegando no outro lugar, no outro emprego,
O sonho dourado virou glíter.
Durou exato um dia no novo trabalho.
Não era tão legal.
Não era tão aberto.
O ambiente não era divertido.
Mas pagava 50 a mais.
Eu nem tinha começado novo processo ainda.
Ligou-me.
“Posso voltar?”, perguntou.
“Não”, sentenciei.
Aí, praticou o hobby.
Encontrei, algum tempo depois, uma amiga em comum.
Ela me contando como a dita-cuja estava praticando o hobby comigo.Mais uma, essa super interessante.
Dois estudantes moravam em um prédio e dividiam um apartamento.
A vizinha deles era um doce de pessoa. Sempre ajudava os meninos.
Um dia, anunciaram que sairiam do prédio pois arrumaram um estágio em uma cidade do Nordeste.
A vizinha então lhes pediu um favor: entregar uma carta a um parente que há muito não via.
Um dos meninos praticou o hobby.
“Por que ela não envia pelos Correios?”, perguntou.
O outro insistiu que entregassem.
Venceu o segundo.
Na carta, entregue em uma cidade desconhecida, numa casa desconhecida para uma família desconhecida, a vizinha recomendava os dois meninos dizendo que eram boas pessoas e que deveriam ser acolhidos.
Então, receberam, por conta de uma carta que pensaram em não entregar, casa, comida e acolhimento por todo o tempo em que lá estiveram.O hobby, meus queridos, vocês já sacaram, é reclamar.
Todo mundo ama reclamar.
Todo mundo ama encontrar um culpado para suas derrotas pessoais.
Todo mundo, em algum momento, se coloca no papel de vítima:Estou cansado.
Ninguém me entende.
Ah, isso não é para mim.
Ah, isso não é comigo.
Só eu faço isso ou aquilo.
Reclamar, o grande hobby do humano.
O grande mal do humano.
O grande erro do homem.
A grande chaga a ser curada.Deixar esse hobby para trás, essa é a meta.