Quando João entrou no bar.

Havia um bar.
Um bar como qualquer bar.
Um bar com mesas.
Um bar com cadeiras.
Um bar com bebidas.
Enfim, um bar.

Nesse bar estava José.
João chegou.

– Bom?!
– Bão!

E a conversa começou.

João contava como Pedro era ruim.
Não esqueceu também de falar de Tânia, que tinha perdido algo.
Letícia? Desleixada demais.
Amarildo então? Não fazia nada certo.

José ouvia a tudo atentamente.
Tomava um gole. Depois, outro.

Quando se cansou, João perguntou:
– Ué, você não vai falar nada?

José tomou outro gole.
Fez a pausa.
Então, tal qual um monge tibetano, respondeu:

– Não!

João se indignou:
– Como é que pode? Eu só queria conversar e você vem de grosseria.

José respondeu:
– Não. Você não queria conversar.
Você só queria falar mal do Pedro, da Tânia, da Letícia e do Amarildo. E, no fim, acabou falando mais de você do que deles.

Deu outro gole.
Levantou.
Se despediu.
Saiu.

João ficou inquieto.
Não entendeu onde tinha errado.
Nem por que estava ali sozinho.

Tentou beber um pouco.
A bebida, de repente, pareceu amarga.
Estranho, pensou.

Depois, deixou para lá.
Viu ao longe, Pedro e correu para ele:
– Pedro, você não vai acreditar no que aconteceu com o José…

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