A cueca do Geison

O título é estranho, eu sei, mas posso explicar, mas antes, precisamos filosofar um pouco sobre:
“últimas vezes”.

Outro dia assisti uma palestra que dizia o seguinte:
– Sabe aquele seu amigo, seu pai, sua mãe, seu filho, etc… aquele que você disse tchau na hora de sair. Parou para pensar que essa pode ter sido a despedida de vocês?

Booommm.

Não. Nunca tinha pensado sobre isso.
Ou melhor, tinha, mas não com tanta profundidade.

Uma das minhas séries favoritas, How I Met Your Mother, falou sobre isso, não prestei muita atenção, talvez até tenha me emocionado, enfim… Marschal chega ao bar que ele normalmente encontrava os amigos e encontra Lily, sua esposa na porta, chorando e o esperando. Marschal diz que estava sem bateria no celular e pede desculpas. Lily o abraça e diz que o pai de Marschal havia falecido.

Como?
Eles estavam juntos pela manhã.
Se despediram falando trivialidades, uma bobagem qualquer sobre o tempo, o jogo do time do coração ou a camiseta perdida.
Despedida.

E aí, meu querido, uma questão que pode se tornar uma assombração:
– SE, a última conversa que você teve com alguém foi a última, ela terá sido como? Terá você inveja de uma última conversa trivial?

Aí me perguntarão:
– Mas, Ediney, devo agora me despedir de todos pensando ser a última vez.
Acho que não. Acho.
Talvez fosse ideal nunca se despedir de alguém com rancor, mágoa, arrependimento. Focando só nas coisas ruins que eventualmente ocorreram.

Difícil?
Claro. Até porque normalmente não depende só de você.

Agora, chegamos as cuecas do Geison.
Fazíamos o nosso podcast semanal, tema, coisas do passado, nada profundo, era orelhão, locadora, MSN, etc (o episódio está aqui) então perguntei sobre esse lance da última conversa e ele me respondeu que sim. Sim, ele pensa que todo dia pode ser o último, por isso, escolhe bem a cueca do dia, afinal, se aquele for o seu último dia, a cueca precisa estar impecável.

Numa analogia forçada, confesso, mas ainda assim uma analogia.
Que tipo de cueca vestimos diariamente? Aquela toda marcada por mágoas, brigas, intrigas? A furada por perdões não dados, tapetes puxados, arrependimentos sem fim? Ou ok, a cueca pode até estar desgastada, mas está com elástico em dia, sem furos, sem manchas, apenas marcas de uma vida bem vivida?

Cuecas, meus amigos.
Elas são importantes, até quando não precisamos mais delas.

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