A grande ciranda

Inexorável.
Adoro essa palavra. Não sei por quê, talvez pelo vocabulário raso, talvez porque ela seja realmente boa.

Enfim, o que é inexorável?
A vida. Nós. Eu e você. Nós!

Outro dia vi um vídeo daqueles que fazem a gente chorar comendo mortadela.
O cara estava sem gasolina.
Chega um cidadão, desses que se autodenominam anjos, pergunta qual é o problema.
O homem responde.
Quando o sujeito diz que vai buscar gasolina, o outro chora.

Gasolina. Carro. Galão. Choro.

Claro que ele não chorou pela gasolina.
Ele chorou pela soma das “gasolinas da vida”.
Percebe?
Uma gota aqui. Outra gota ali.
Transborda.
Choro.

Veja.
O problema daquele momento ainda é a falta da gasolina.
Ele ainda está com o carro no acostamento.
Não é nada mais do que isso.
Mas… choro.

O choro é porque às vezes, não conseguimos ver o depois.
O choro é porque às vezes não conseguimos lembrar o antes.

Tudo se transforma em um grande monte de porcarias juntas.
Porcarias grandes. Porcarias pequenas. Porcarias.

Não é verdade que tudo na vida dá errado.
Mas dá a impressão, porque esquecemos o antes.
Aí, o choro.

A vida em si parece uma grande ciranda.
Alguns diriam que é uma roda-gigante, mas isso não é verdade.
Algumas pessoas simplesmente nunca chegam ao alto.
É uma ciranda.
A cada volta, você passa por coisas boas e ruins.
Elas se repetem.
Elas voltam.
Coisas boas e ruins.

Às vezes você passa pela alegria, às vezes pela dor, às vezes pela esperança, às vezes pela gasolina que falta no pior dia possível.

Algumas vezes ela vai rápido demais.
Algumas vezes ela vai devagar demais.

Aqui, a teoria da relatividade não funciona.
Só vale a referência de quem está vivendo.
E algumas vezes, tudo o que se quer, é que tudo passe, muito, muito rápido.

Mas, como lembra uma das minhas palavras preferidas, é inexorável:
a volta será dada.

É uma ciranda.

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