Você se conhece?
Quando alguém pergunta:– Quem és tu?!
O que responde?
– Ah, sou jornalista.
– Ah, sou de Sagitário.
– Sou professor…
Enfim… não importa.A questão é: quando deixa de ser jornalista, professor, seja lá o que for, deixa de ser você?!
Você é apenas o que faz?Não. Claro que não!
Então…
– Quem és tu?!
Uma pergunta muito fácil que se torna extremamente difícil porque, verdadeiramente, não temos ideia de quem somos. Do que nos torna, nós. Únicos. Uma entidade diferente de todas as demais.
– Quem és tu?!
Dizem que estava na entrada de Delfos (cidade grega), ou foi Sócrates quem disse, ou foi a base da filosofiade dele, não importa, a máxima permanece: “conhece-te a ti mesmo”.
Dizia isso não porque é fácil, mas porque é difícil.
Porque é a missão de uma vida.– Quem és tu?!
Quem somos nós depois de retirarmos as máscaras sociais?
Quem somos nós depois de vomitarmos todos os sapos engolidos?
Quem somos nós depois de desnudarmos as verdades mais íntimas da alma?
Enfim, quem somos nós naquele exato momento em que ninguém está olhando?
No momento em que você pode chorar ou rir sem plateia.
No momento em que você pode ser generoso ou egoísta sem julgamento.
Naquele momento, naquele único momento seu com você mesmo, em que tudo o que resta é você com você!?Esse momento existe?
Sim.
Algumas vezes nem percebemos.
Mas existe; ele está escondido dentro de cada um de nós.Uma pessoa é gentil, perversa, egoísta, altruísta, metódica, amorosa porque é, ou porque assim foi moldada?
Desnudar-se de máscaras é algo percebido por todos os tempos. Um convite a reconhecer a própria ignorância sobre nós mesmos!
Havia um homem triste.
Havia um homem feliz.
Esses homens moravam na mesma casa, mas nunca se encontravam.
O dono da casa era marionete; como não conhecia sua própria essência, deixava-se levar.
Quando alguém de fora oferecia comida para o homem feliz, ele era feliz.
Quando alguém de fora oferecia comida para o homem triste, ele era triste.
Nessa dualidade, um dia resolveu conhecer os cômodos do próprio lar e lá descobriu a temperança.
Magra, abandonada, esquecida, esboçou um sorriso ao ver o senhorio.
Mas o senhorio teve medo.
Não conhecia aquela figura.
Fechou a porta.
Nunca mais voltou.
O homem triste seguiu triste.
O homem feliz seguiu feliz.
Por não conhecer a “ti”, viveu pelo alimento do “tu”.
Nunca foi totalmente feliz.
Nunca foi totalmente triste.
Nunca entrou em Delfos.
Nunca viu nada que não fosse sombras em cavernas.