Já sacou, né? Você não tem controle nenhum sobre nada.
Você controla o que fala, mas não o que é recebido.
Você controla quem ajuda, mas não o que é feito com aquela ajuda.
E olha… acho que para por aí.Você pode controlar o que come, mas controla?
Você pode controlar as companhias, mas controla?
Você pode controlar os desejos, mas controla?Sabemos que, na maioria das pessoas comuns ,filhos de Deus nessa canoa furada, não… não controlam.
Algumas vezes pensamos, tentamos, juramos de pés juntos, mas… não, não nos controlamos.
Gosto muito do ditado:
“Quando João fala sobre José, está falando mais sobre João do que sobre José”.Essa frase é visceral. É real. É taxativa.
Ela fala sobre controle, sobre controlar o que se fala e o que não se fala.Mas, ainda assim, João, que sabe sobre isso, segue falando sobre “José”.
Por quê?
Porque insistimos em mostrar nosso pior lado!E tem pior.
Nosso pior lado é sempre mostrado para nós mesmos!Outro dia, por conta dessa doença terrível que acomete o brasileiro afegão médio, o fanatismo político, uma senhora muito gentil que conheço foi extremamente grosseira comigo. Não porque estava discutindo, mas porque não estava; e, para a doença que a acomete, isso é sinal de antagonismo.
Enfim, não discuti.
Não falei nada.
Mas guardei.
Queria ter controle e não guardar? Sim.
Mas não rolou.Ainda que eu saiba sobre o “João”.
Ainda que eu saiba sobre o “José”.
Falei.
Não segurei.
Contei com outrem.
Me arrependi no mesmo segundo.
Mas palavra jogada é palavra perdida.Nada grave.
Só lamento.Mas ,e sempre tem o “mas”, falei!
A jornada é mesmo assim.
Pequenas vitórias.
Pequenas derrotas.
Amadurecimento.Pra fechar, tem uma história muito interessante.
Havia um sábio que morava no cume de uma montanha muito alta.
Diariamente, centenas de pessoas subiam a montanha em busca de seus conselhos.Um dia, dois aprendizes decidiram que era hora de também conhecerem o sábio e começaram a jornada.
No caminho, um porco, que estava sendo levado como oferenda, andava junto a seu dono e era chicoteado para continuar o percurso; grunhia com a dor.Um homem que passava ao lado perguntou ao dono se ele se incomodava que levasse o porco nas costas. Afinal, andariam mais rápido e o porco não sofreria. O homem concordou.
Os dois aprendizes se entreolharam e esboçaram um breve sorriso: um homem carregando um porco… que homem rude seria esse.
Ao chegarem ao local em que o sábio atendia, vocês já devem imaginar: o homem que carregou o porco nas costas era o próprio sábio.
Os aprendizes, a princípio, nada disseram e passaram o dia a questioná-lo sobre os mais diferentes assuntos. Na hora de partirem, um deles não aguentou a curiosidade e perguntou ao sábio sobre o porco.
O sábio parou, pensou e pediu desculpas:
— Desculpe, mas não sei de que porco vocês falam.Os aprendizes partiram.
Um dia, talvez, se tentarmos, insistirmos, seremos como o sábio: faremos o bem e nem ao menos lembraremos , afinal, isso é apenas o certo a se fazer.