Então, você está viajando e encontra um copo mágico.
Sim, um copo. A história é minha e eu coloco o elemento que quiser.
Esse copo tem uma característica especial:
Ele te realiza um dia perfeito.
Um dia.
Você pode escolher tudo que vai acontecer contigo naquele.
Mas tem uma regra:
Nada material fica para o dia seguinte.
Como seria esse seu dia?!
A pergunta é bem mais difícil do que parece.
E, confesso:Não conheço minha própria resposta com exatidão.
E isso é problema.
Não se pode ir onde não se sabe que quer ir.
Parou para pensar no paradoxo?
Tens o mundo na mão.
Mas tuas mãos não têm rumo.
De fato, é como se nada tivesse.
Deu um aperto no peito aí?
Pois é.
Dá.
Porque, pensa comigo:
Se você não tem a resposta exata para essa mágica.
Você está no estilo Zeca Pagodinho e deixa a vida te levar,
Então, não se pode reclamar afinal… ela leva.
O copo ainda está na sua mão.
Tic, tac.
O tempo está passando.
O tempo está passando.
Rápido.
Cruel.
Inexorável.
Não dá para parar. Não dá para retroceder.
Uma fila se forma.
Mais gente quer usar o copo.
Você com o copo na mão.
Você continua com o copo na mão.A fila aumenta.
— Vai logo! — alguém grita.
E agora?
E agora?
Afinal: como é esse dia perfeito?
Se ele fosse um GPS, qual seria esse endereço?
Você acorda que hora?
Com quem você acorda?
Toma café?
Vai pra onde?
Vê quem?
Ganha algo?
Qual é o endereço mais profundo do seu coração?
O que faz seu coração bater mais feliz?
Complexo?
Sim!
Mas, por quê?
Acho que é porque nos acostumamos a mediocridade.
Não tenho certeza.
Talvez nós simplesmente saibamos muito bem aquilo de que queremos fugir, mas muito pouco aquilo que queremos encontrar.
Quem sabe sejamos somente mesquinhos e limitados.
Pensamos em Ferraris, casas e contas recheadas.
Mas não em realização de verdade.
Coisas materiais não saem da cabeça:
Ferrari.
Pode.Dinheiro.
Pode.Mansão.
Pode.À meia-noite, desaparece tudo.
E aí?
Nada disso continuará existindo depois da meia-noite.
Os gritos aumentam.
Acabou o tempo.Você perdeu a sua vez.
Terá outra?
Não sabemos.
Há quem jure que sim.
Há quem jure que não.
Há os que se abstêm.
Pelo sim, pelo não ou pelo talvez, melhor pensar agora.
Quem sabe um dia, o copo venha para a sua mão, então… saiba já.
Afinal, nenhum GPS consegue traçar uma rota sem destino.