Dizem que o trabalho de alguém é a coisa mais importante que se pode fazer por si e para a sociedade como um todo.
Concordo.
E aí, pergunto: se é assim, porque há tanto desrespeito?Há muitos anos li o relato de um rapaz que havia passado em um concurso do Banco do Brasil, começou em um cargo menor e foi crescendo até chegar a gerente, então, depois de algum tempo, ele relata que resolveu abandonar tudo e ir morar nos Estados Unidos, lá, trabalhava como “descascador de parede” e posteriormente pintor.
Essa história sempre me deixou intrigado.
Afinal, desde que eu me conheço por gente, o sonho da maior parte dos brasileiros era passar em um concurso público, garantir estabilidade e ser feliz, mas ele, não. Ele resolveu abandonar tudo.No relato ele conta que não foi necessariamente a questão financeira que o fez desistir, mas uma situação específica. Ele foi de férias para o país americano e alugou um apartamento ou coisa assim, numa das vezes em que voltava para casa encontrou uma cena insólita para o Brasil:
Ele de bermuda e um homem de terno e gravata, então, entrou alguém todo cheio de graxa, com macacão azul e mãos igualmente sujas. O primeiro pensamento dele foi:
– Por que esse cara não está no elevador de serviço?
Quase que ao mesmo tempo, o homem de gravata cumprimenta o de macacão com um aperto de mão e lhe deseja bom dia.
Simples assim.
Foi então que o personagem da nossa história percebeu o que vivia e como vivia.
Como gerente do banco, ele mesmo obrigava motoboys entrarem por entradas diversas de outros clientes, ele só atendia as pessoas “de gravata” enquanto deixava para os subalternos o atendimento de pessoas de macacão.
Mas o ciclo, você sabe, é infinito, enquanto discriminava quem deveria ou não atender, ele mesmo tinha que se sentir inferior aos engravatados que vinham procurar por atendimento com muito dinheiro, achando que tinham mais direito a horários e benefícios que os outros e, pelas regras do próprio banco, tinham mesmo.
O seu trabalho, ponderou, era bajular pessoas que gostavam de bajulação para que mantivessem seu dinheiro naquele banco, naquela agência. Seu conhecimento em bancos, sua pós em finanças, pouco adiantavam naquela situação.
Então foi isso.
Um pintor.
Um engravatado.
Uma decisão.Hoje (quando li o texto dele há bastante tempo), ele era o pintor. Conta que entrava em todos os locais e era respeitado pelo trabalho que executava. Ganhava quase o mesmo do que seu tempo de gerente. Encontrou na mão suja a crença que tinha perdido.
Desde então, a reflexão sempre toma conta de mim. Será que eu respeito o trabalho alheio como devia? Será que tento ensinar outrem a fazer o trabalho que não tenho a menor ideia de como fazer?
Diz o ditado que respeito é mercadoria de troca.
Não concordo, mas é difícil manter respeito por quem não nos respeita.
Não é questão de arrogância ou superioridade, é respeito.Outra historinha, essa mais famosa, conta o homem que foi chamado para uma empresa para consertar um defeito. Chegou e 5 minutos depois estava tudo pronto. O responsável perguntou o preço:
– R$1000 respondeu.
– mil por cinco minutos?
– Sim.
– Ok, quero que faça a nota fiscal e a discriminação exata do serviço prestado.
– OK.Mais tarde o homem recebe a nota:
Apertar parafuso: R$ 1
Saber qual parafuso apertar: R$ 999É isso.