Você sabe, né?!
Não faz milagre.Outro dia vi uma historinha, dessas bonitinhas de internet assim:
A mãe leva o filho no trabalho.
No caminho, ela para e pega o café.
O filho olha tudo com admiração.
No corredor, algum colega tromba nela.
Derruba café em toda a sua blusa.
Ela se lamenta e diz que não tem problema.
Em casa, no dia seguinte, o pai e a mãe na cozinha, conversam.
Na hora da despedida, ele tromba nela.
Café na blusa.
Xingamento na boca.
O menino então pergunta:
– Pai, ontem aconteceu a mesma coisa no trabalho dela. Mas ela não ficou brava. Por quê?
— Ora, meu filho — diz o pai. — Porque ela não é casada com ele.A historinha era essa, ou quase essa.
Qual é o ponto:
O ponto é que o de fora é sempre melhor tratado.
O de fora faz milagre. O próximo, você conhece.Pode pôr a caxola para funcionar, que você vai perceber.
Você diz:
– Amiga, não come isso porque faz mal.
A amiga come.Essa mesma amiga abre o TikTok e vê um desconhecido total.
Alguém até famosinho, mas desconhecido para ela.Esse alguém diz o mesmo:
— Olha, não come isso aí. Faz mal.No outro dia, adivinha:
— Ai, amiga… descobri que aquilo que eu comia,
não posso comer.
Ela não o conhecia.
Nunca tinha conversado com ele.
Mesmo assim, ouviu.Santo de casa não faz milagre.
Agora, é por mal?
Creio que não.
Deve ser algum complexo bizarro da mente.Será que a verdade vale menos quando vem de perto?
Vou dar um exemplo, pessoal:
Estava eu, faceiro e pachola, dando uma palestra.
Marketing digital, era o tema. 2015 era o ano.Disse eu a certa altura:
– Cuidado com a estratégia.
As redes tratam você como usuário de drogas.
Estão vendendo barato para cobrar caro depois.O contratante me chamou de canto e reclamou:
— Como assim comparar redes com tráfico?Devo estar errado, pensei.
Mas a vida, meus amigos, a vida.
É uma grande bagunça.Alguns meses depois nos encontramos.
Ambos na posição de espectadores.
O orador, fera demais, um influente expoente.
A tese?
Sim, isso mesmo.
Mesma ideia.
Mesma comparação.
Mesma crítica.O resultado do meu detrator?
Aplausos.
Brilhante, dizia.Santo de casa não faz milagre.
As pessoas procuram no longe, o que têm no perto.
Elogiam no estranho, o conselho do próximo.O mesmo conselho vale mais quando vem acompanhado de desconhecimento.
Santo de casa não faz milagre.