Era uma vez Zé.
Zé até tinha boa vontade.
Mas Zé, era Zé.

Zé gostava de algumas palavras.
EU, quando se tratava de sucesso.
VOCÊ, quando se tratava de derrota.

Uma vez Zé pensou:
– Olha, preciso aprender coisa nova.
Zé queria fazer dinheiro novo.

Então, lá vai Zé.
Agora vai, pensou.

No primeiro dia, chegou animado.
No segundo, já olhava o relógio.
No terceiro já dizia que aquilo era ruim.
Na semana seguinte, já tinha certeza de que não servia para nada.

Começou, sentou e já se estressou:

– Ué, tem que prestar atenção?
– Ué, tem que estudar?
– Ué, preciso me esforçar?
– Ué, tem que ir, estar presente?

Não estava legal, precisava mudar!
Precisava encontrar alguém para culpar.
Bora reclamar!

Você, você, você!
Não tem jeito.
Não tem desculpa.
Não tem “se” ou “mas”.
Você!
Não eu, você!

Afinal, Zé nunca é culpado.
Zé é vítima, Zé é mártir.
Assim, ao menos, pensa Zé.

Zé não entendeu que não se muda por osmose.
Zé não descobriu que mudar não é só decidir, mas sim persistir.
Se muda porque se faz por onde mudar.

Não há problema em nascer Zé.
O problema é morrer Zé.

Mas você sabe, né?!
Zé é Zé.
Zé é plural num singular.
Sempre há outro Zé para validar Zé.
Zé sempre acha que tem razão:

No fundo…
É Zé.

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