Ainda era cedo.
Mas era diferente.
Havia um peso que não se falava.
Não era um elefante na sala
Diriam que era um elefante na sala.
Mas elefantes fazem barulho.
Movem-se.
Ocupam espaço.
Aquilo não.
Aquilo estava lá.
Escondido.
Parado.
Aquilo… aquilo era outra coisa.
Talvez esperasse uma faísca.
Poderia explodir.
Quem sabe fique até que vire paisagem.
Como aquela rachadura na parede.
Que ninguém mais percebe.
Nas entrelinhas
Vez ou outra ele entra na pauta, sem entrar.
Aparece nas entrelinhas.
Nas conversas atravessadas.
Na boca de quem nem deveria estar falando.
Por que ele incomoda?
Por que ele existe?
Por que ele divide?
É um fenômeno; dizem que Freud explica.
Não, não explica.
Portas que só abrem de um lado
Algumas portas só abrem de um lado.
Só um lado.
Passou, ficou.
Essa é uma delas.
Quando se fala o que se quer.
O que se sente.
O que se pensa.
Atravessa… e aí… não tem volta.
Dizem que é uma contradição.
Pessoas boas mudam de personalidade.
Pessoas ruins defendem coisas boas.
Não é dicotomia, apesar de parecer uma.
Não é distopia, apesar de parecer uma.
Tampouco é vitória ou derrota.
Só é.
Como Voldemort
Ele está lá.
Como Voldemort.
Aquele cujo nome ninguém ousava dizer.
Não porque deixasse de existir.
Mas porque pronunciá-lo parecia perigoso.
Existe.
Aparece.
Causa estrago.
Se esconde.
Ele está lá.
Apenas esperando.
Está lá!
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Ediney Giordani